quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Poesia gustosa

Quiero una poesía colorida y dulce
miel que se pega en la boca
e pide para ser lambido
chocolate amargo que se deshace en el bolsillo
esperando mi amor
Senos sin sostenedor y sin vergüenza
del tamaño exacto de mi mano abierta
Quiero una poesía con perfume di lluvia en la mañana
pero, si no es posible,
puede ser olor de sexo de la mujer amada
noches en que se despiertan los galos
con gemidos y risas
Donde no se sabe si el sueno es quando
se duerme o quando se despierta
quiero una poesía de pies, manos e cadera
Manos finas e agiles,
pies de bailarina
cadera con encajes dibujados en nankin
Quiero una poesía y una mujer así
con una flor en sus pelos
y una sonrisa gratuita
porque el amor es,
al final,
confiança, mirar
un espejo que nos devuelva el brillo

Poesia gostosa

Quero una poesia colorida e dolce
Mel que gruda no cantinho da boca
e pede para ser lambido
Chocolate amargo que derrete no bolso
à espera do meu amor
Seios sem soutien - e sem vergonha
do tamanho exato da minha mao aberta
Quero uma poesia com cheiro de orvalho,
mas se nao der,
pode ser cheiro de sexo com a mulher amada
noites em que se acordam os galos
com gemidos e risadas
Onde nao se sabe se o sonho
é quando se dorme ou quando se desperta
Quero uma poesia de pés, maos e quadril
Maos finas e ageis, pés de bailarina
Quadril com encaixes desenhados a nanquin
Quero uma poesia e uma mulher assim
com uma flor nos cabelos
e um sorriso de graça,
porque o amor, enfim,
é confiança,
olhar um espelho que nos devolve o brilho...

Yo no buscava nadie y te vi


Sua voz tremia - medo e dor
e a ansia lhe empurrava palavras que nao queria
e nao sabia
os cabelos estavam naturalmente nervosos, soltos
os labios mordiam-se e todo o corpo esperava
Ficou assim, meia hora, com quereres incertos
e sem dizer para onde
- apenas porques
Eu repetia, suplicando, meu pedido de silencio:
escuta-me!
So' queria ouvir 'te quero'...
Quando, apos quase uma hora,
lingua e dentes sussurraram seu querer,
meu coraçao experimentou uma descompressao,
músculo - peito - pulmao
lagrimas
e pude outra vez acreditar
- como um menino tonto que segue as sombras no asfalto -
no amor

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Chovendo em mim

A espera roìa a esperança
lacerava a pele, a carne,
penetrava inclemente até ferir os ossos
A dùvida torturava,
derrubava - como dominò -
toda e qualquer segurança,
certezas que eram, entao,
castelos de cartas
Ventava demasiado
e o amor,
bolha de sabao colorida,
flutuava ainda um pouco,
livre, solto,
gracioso e brilhante,
até tocar a realidade e explodir
- amor anemico, falta ferro,
carece de resistencia
à dor...
ah! o amor
De uma noite vazia,
restou a làgrima,
o medo
e o silencio

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quimioterapia

Quando meus cabelos começaram a cair
cairam também certezas, esperanças, ilusoes
Os cabelos que ja nao havia
roubavam os traços tenues da minha
condiçao de mulher
e me ofereciam, nua,
aos olhares piedosos dos passantes,
reduzindo-me à minha unica realidade possivel,
a de doente,
doente de cancer
como se, com as bolas de cabelo que se desprendiam,
aos montes,
se despegasse de mim meu ser mulher,
mae, amante, filha
- era uma doença que tomava meu corpo,
minha casa, meus pensamentos e meu sono
ninguém podia compreender,
talvez Paola, Elisabetta,
ou as amigas que sabiam - como memoria -
o que eu passava
O cancer mata,
mas a ignorancia mata mais,
a indiferença fere e oprime,
a piedade humilha
Era como caminhar em uma gruta escura,
sem lanternas, sem ideias,
sem forças para caminhar
O frio do inverno, da gruta,
do saber médico -
feito de vereditos
me deixava impotente e breathless (sem respiro!)
A gruta, para quem a atravessa,
configura outro nascimento,
um parto, um vir à luz
Apos meses assim,
é quase um presente sorrir,
é uma vitoria gargalhar - igual criança, sem freios
Agora tenho outras coisas na cabeça:
cabelos, por exemplo!
Ideias, metas, um caminho a construir

Chevere

Yo he comido la fruta colombiana
jugo de lulu, curuva
he comido patacon y arepas
me han recibido con la gentileza
que, pienso, todos merecen
yo he admirado la belleza inolvidable
de las mujeres de allí
su sonrisa, sus formas anchas
su aire placentero
- me han llevado a rumbear
me han perdonado la lengua estropeada
las palabras imprecisas, los verbos equivocados
todavia han apreciado mis maneras
han compartido afectos y experiencias
puedo, entonces, agradecer la suerte
de conocer esto país
Quiero y espero volver listo...

Viagens


Quando seus olhos graudos começaram a verter lagrimas,
percebi que era hora de partir
Dois passageiros em uma longa viagem de trem:
se olham, se apresentam
colecionam afinidades, riem com gosto,
se contam as dores,
Feitos gatos de rua lambem suas feridas
e o cuidado salgado de suas bocas
pede mais quilometros, mais paradas,
Paisagens de ontem que se mesclam
como cabelos em abraços
desejos e desejos e desejos
- conta o destino ou a viagem?
Na hora do adeus
deixei-lhe um espelho,
para que consiga enxergar a luz e a beleza
que dorme em seu peito

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Figlia

Sterile!


La parola pesante come un macigno,


il destino crudele e buio


Ma cos'è che aveva quella donna,


così carina e dolce,


pervasa da quella voglia tipica di amare


che si trova nelle vecchie mamme?


Quale mistero si celava in quegli occhi


scuri e candidi?


Il tocco fece raccontare al suo corpo una storia di freddo,


abbandono e violenza,


di uomini che ancora vedono nella donna


un giocattolo divertente,


da usare a piacimento...


Finché il nido interno non è pronto,


il sangue non può intessere la sua rete morbida,


che accoglie e fa crescere il seme...


Ora sì!


L'anima gravida di amore


può simboleggiare la bambina


che vuole nascere


E quant'è bella tale bambina,


figlia del sogno,


figlia dell'incontro,


figlia di un amore incondizionato e libero

Memorias gauchas

"cheiro de primeiro encontro,
de olhares tímidos cruzados
eu, de cerveja, ela de vinho
branco
frio de noite gaúcha, de neve
branca
em cabelos negros
seu quarto sempre em desordem
- e ao mesmo tempo pronto
cinzeiros repletos de amigos,
amantes, talvez
seus olhos me perseguiam
e como eram grandes,
continentes de emoções distantes,
família perdida, desejos de ontem
memórias de menina
em coxas e seios de mulher
lembro-me que seu corpo estava muito quente,
àquela hora de corpos nus, entrelaçados
me despedi da consciência ouvindo Years of Solitude
não houve depois
é verdade, havia um bilhete
quando acordei
e chovia,
não sei se dentro ou fora de mim
corria louco, delirante, em vão
não soube jamais daqueles olhos..."

Brincando com palavras

como menino de rua,
atiro palavras pelas calçadas
acertam casas,
respingam gotas de chuva ou lágrima
molham lábios sussurando beijos
acariciam mãos e revelam saudades

Cumplices

Quando os olhos se encontraram,


eram já cúmplices - sem o saber


Quando as palavras sopradas


acariciaram face e cabelos


a pele se fez aquecida...


e as maos aprenderam a dançar


Quando os lábios se banharam


da essencia úmida de línguas inquietas


o gosto penetrou cada espaço rosa da boca


e anunciou intensas aventuras


Até que o tempo desapareceu,


assim como a gravidade e o espaço


e os movimentos permitiram-se


a jóia da experiencia pura;


fome infinita do outro


Foi aí que os cheiros se misturaram inexoravelmente,


foi entao que a mistura de líquidos


tornou claro a ambos que aquele encontro era definitivo,


muito além de corpos que se procuram,


de sexos que se completam


de carícias que brotam a cada respiro


O desejo era o de abraçar esperando a eternidade

Amore vero

Come riconoscere il vero amore? L'amore è sempre terapeutico, lenisce il dolore, cicatrizza le ferite inflitte dal trauma, rende l'anima leggera e stampa nelle labbra un sorriso spontaneo...
L'amore, quando è così, non chiede nient'altro che essere vissuto, corrisposto, e scorre libero
Quando uno si sente amato, il suo specchio si illumina di colori, il giudizio si fa clemente, uno apprezza sé stesso e diventa fiducioso nel domani.
Con la forza dell'amore, il meglio di sé si espressa.
Una cultura dell'amore, che prediligga la percezione degli aspetti creativi dell'individuo, già dai bambini, che insegni il rispetto nei confronti della donna, che smascheri i meccanismi violenti di dominazione e potere dell'uno sull'altra... Così, in quanto esseri pieni, alla pari, può nascere l'uomo nuovo, può fiorire il nuovo rapporto...

Scuola triste

Perché è così difficile cambiare in meglio la scuola italiana? Lasciamo perdere la Gelmini e il suo apprezzabile tunnel...Il fatto è che siamo tutti figli di questa scuola, piena di rettaggi fascisti, in cui l'ordine prevale sopra la creatività, l'obbedienza ha la meglio sopra l'inventiva. L'Italia è uno degli ultimi paesi in Europa per diffusione di internet e i nostri maestri usano ancora il libretto scritto per le comunicazioni...L'Italia ha già perso la sfida del futuro e noi ci divertiamo a seguire le vicende sporche del premier...che tristezza!

Adios

y otra vez ella se fué, como un pajarito que escapa de el calor de mis manos y vuela lejos...

A bela mae

quantas noites ainda, guria?
quantas madrugadas antes que tu fujas
pra quem sabe um proximo verao ou inverno...
faz muito frio - e nos olhamos
rimos muito e nos aproximamos
caminhos de corpo todo
insisto nos teus làbios
procuro os teus cheiros - e gosto
e gostas da procura
quando percebo, estàs nua e quente
pulsando, gemendo
o teu amor me assusta
- ou talvez eu tema o meu amor!
e nao me permito,
nem por uma noite,
nem por todas as noites,
e adormeço,
desejando um nao sei o que
que nao vem
entre algum barulho, acordo sò
cade teu corpo, companheira ?
te olho, jà vestida, trabalhando
e nao me reconheces...
mal compreendo este amor noturno,
que sò vale até às sete da manha...
mesmo assim o desejo e o procuro,
depois do entardecer

E' hora

Escrevo por necessidade
como um escultor
que modela no màrmore corpos sonhados ou desejados
apresento umas palavras às outras
e espero que o encontro seja proveitoso...
Caminho, assim, às vezes, aos tropeços
na esperança de desvendar a estrada secreta
dificil, conturbada
que conduza o gesto ao centro,
a boca ao canto
Escrevo pois preciso
é o tempo, unico o momento,
todo o sentimento
Escrevo antes que alvorada
cancele tons, e me devolva o vazio...

Lingua

Estalava a lingua, assim,
duas vezes cada vez
para mim era uma espécie de melodia,
chamado, convite
sons de encantamento...
Havia também uma alquimia
feita de cheiros e cores
tres perfumes quaisquer, sem brilho
que ao toque da pele criavam magia
paisagens doces e frescas,
orvalho na relva de manhazinha
Talvez o mistério fosse esse, o tempo,
gota de chuva
que escorre e desaparece
como a tenue certeza do amor
E depois, havia o beijo:
quem me dera a cada aurora
poder molhar meus labios
e beber na tua fonte limpida